O irreverente Carnaval da Redinha








A Praia de Redinha é detentora do título do carnaval popular mais animado de Natal.Território dos blocos mais irreverentes da cidade, a Redinha atrai foliões de outros lugares para brincar na folia dos blocos “Povão da Praia”, “Folia Mirim”, “Papangu da Redinha”, “Visse e Versa”, “Cata Corno”, “No seu Buraco”, “Siri na Lata”, “Vai pra Peia”, “Caju Maluco”, “Tampa de Furico”, “Cobra Coral”, Banda do Siri”, “Zé Perikito”, “Perereca da Redinha”, “Baiacu na Vara”, “Seu Boga” “Redinha dos meu amores” e tantos outros que surgem a cada ano.
Os blocos de rua da Redinha, com suas orquestras de frevo,atraem centenas de foliões quando saem as ruas, sem cordas ou cordões, resgatando a liberdade e a irreverência do povo com suasbandas de metais e seus músicos, levando o autêntico carnaval aos inúmeros foliões que lotam as ruas e becos da praia, durante os dias de folia.
A Redinha mantém também a cultura dos blocos de índios que desfilam ao som das batidas de tambor.
Além dos desfiles dos blocos de rua que são, sem dúvida alguma, o melhor do carnaval nessa praia, o polo carnavalesco da Redinha, apresenta shows diários, com trios tocando axé e outras músicas do gênero.
BLOCO CARNAVALESCO OS “CÃO”


Mas foi com o bloco “Os Cão” que o carnaval da Redinha notabilizou-se na cidade, pela invenção da fantasia de lama, veste do mais irreverente bloco da praia. O Bloco surgiu nos anos 60 quando um grupo de amigos resolveu desfilar pela praia “fantasiado” com a lama do mangue e com adereços consagrados ao “cão” ( o diabo) no imaginário popular.Hoje “os cão” levam mais de dois mil componentes ao mangue, para enlameados desfilarem pelas ruas.

Francisco Ribamar de Brito, seu Dodô, um dos criadores do bloco, conta como surgiu os cão: “tudo começou quando ele, Zé lambreta, Chico Baé e mais dois amigos,resolveram pegar camarão no Porto D’água, para tirar o gosto da aguardente. Estando no mangue, Chico Baé mela o cabelo de lama,querendo estirar o cabelo crespo. Achando engraçado, todos encheram o corpo da lama e saíram para o mercado e ruas da Redinha, assustando quem passava.O povo dizia: lá vem os cão! Naquele tempo era tudo sadio,a gente era respeitado.Hoje em dia todo mundo mela todo mundo” completa seu Dodô.
Em “Natal-Uma Nova Biografia”, Diógenes da Cunha Lima transcreve uma nota do “Jornal o Galo- em fevereiro de 1997, que reescrevo aqui:”Quem são eles. os cão? Meros cidadãos de uma comunidade praieira? Com uma definição assim não há como evitar o risco de incorrermos no simplismo. Porque os cão são muito mais: irreverência. originalidade, comunhão com a mãe-terra, alerta em favor do ecossistema e, por extensão, também um momento de pura beleza sob a forma descuidada da efêmera( e preciosa) alegoria do carnaval” E o poeta-escritor complementa: “A mais pobre das fantasias, feita da lama negra dos mangues, supera qualquer fantasia, inclusive a religiosa.

FONTES:

Jornais:tribuna do Norte e Diário de Natal
Diógenes da Cunha Lima- Natal-Uma Nova Biografia
Editora Infinita Imagem – 2011
Luiz da Câmara Cascudo-História da Cidade de Natal
Site: Diário do tempo- Velha Redinha- Sergio Vilar
Pesquisas Google-Wikipédia

FOTOS:
Acervo do fotógrafo Canindé Soares
Imagens Google

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